Feb 22, 2012

Escrito por em Crítica, Séries | 2 Comentários

Séries [Awake] Impressões do Piloto

Demorou, mas finalmente eu assisti o piloto de “Awake”, novo drama da NBC. Abaixo você pode acompanhar minhas impressões, mas já aviso que o texto contém spoilers.

Desde que eu fiz o post falando das promos liberadas pelo canais para o público em 2011 (post aqui) “Awake”, junto com “Smash”, foram minhas séries favoritas e mais esperadas. Esse novo procedural drama irá mostrar a vida do detetive Michael Britten, que após sofrer um grave acidente de carro com sua família, falta para sua esposa e filho, fica com sequelas psicológicas muito fortes. Michael não consegue superar as perdas e em sua cabeça, de alguma forma não explicada, passa a viver em realidades paralelas: uma onde sua esposa sobrevive ao acidente e seu filho está morto; outra, onde seu filho é o sobrevivente e sua esposa a vítima fatal. Paralelo, ao drama pessoal, cada realidade trás consigo um crime diferente, onde Michael vai passar a investigá-los, com pistas e fatos que irão corroborar para a investigação como um todo.

Para Michel, viver entre essas realidades criadas pela sua cabeça, é uma forma de conviver com seus entes queridos, mesmo que seja com um de cada vez. O piloto nos coloca em um estágio de tempo, onde Michael já está bem ciente de como lidar com essa situação, em cada realidade ele criou um sistema de consciência, porém em ambas as realidades, ele é obrigado a se tratar com psicólogos, pela natureza de sua profissão, as sessões com os psicólogos são excelentes, ótimos diálogos e bons argumentos – me lembrou demais os áureos tempos das sessões com Tony Soprano e Dra. Melfi – durante as conversas com os psicólogos, Dr. John Lee e Dra. Judith Evans, Michael mostra que coloca um elástico colorido no braço, os elásticos o ajudam a lembrar em realidade ele está naquele momento, mas isso é apenas para o personagem, para o espectador a diferença entre as realidade são claras: se diferenciam na tonalidade de cor, o da esposa é vivido e cheio de vida, o do filho tem um tom mais sóbrio, quase sem cor, a ambientação muda de um para outros também.

Gostei muito desse piloto, uma história extraordinária, contada de uma forma simplória, mas diferente de tudo que temos no ar atualmente, Jason Isaacs (Lucius Malfoy de Harry Potter) é um ótimo protagonista, carrega no semblante a imagem de um cara destruído e sofredor, dramas psicológicos e pessoas destruídas, tendo que reconstruir suas vidas, me parece sempre um bom começo, de uma boa história. Apesar de apelar para alguns clichês repetidos na convivência entre pai e filho, o roteiro é lindamente construído para o espectador entender a todas as nuances da série. Na relação marido e mulher a situação é um pouco diferente, para sua esposa Hannah, Michael contou o que está passando, tentou explicar como funciona as realidades e como seu filho está vivendo nesse “outro mundo”, isso já é o bastante para assombrar sua esposa com a existência irreal de um filho morto.

O piloto, ao tentar ser tão bom, abusa um pouco de alguns aspectos que poderiam ter sido guardados para o decorrer da temporada, como a ideia dos mundos se colidirem em sua mente, bagunçando sua organização e o entendimento do que está se passando de cada lado, uma consequência natural para um cérebro que usa o subconsciente para sustentar duas realidades alternativas complexas e cheias de problemas, pessoalmente, gostaria de ter visto isso de forma mais orgânica e natural, não tão repentina.

O que é realidade? O que é sonho? Na cabeça de Michael Britten isso não importa, ele está disposto a bancar qualquer consequência para continuar a conviver com sua família. O piloto deixou claro que o personagem é forte e consistente e a história tem um grande potêncial, resta saber se o roteiro irá saber trabalhar bons casos policiais e seu desenrolar em duas realidades, e se irá conseguir manter interessante essa “relação familiar multidimensional”. Só espero que no final de tudo, ele não tenha sido raptado por alienígenas e está sendo mantido em um contêiner criogênico, onde só sua mente se mantém ativa para fins de estudo por parte dos colegas aliens – sério! Puts, e ninguém comenta com os escritores de Fringe esse plot ou podemos ver ele antes do imaginado na tela (risos malévolos).

Deixe seu comentário abaixo sobre o piloto de “Awake”, a série estreia oficialmente em Março, mas o piloto já pode ser assistido no site da NBC.

@Zuil


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  1. Dae Zuil! :D

    Eu me empolgo bastante com esses pilotos. “Touch” já foi algo totalmente diferente. Agora “Awake” vem para também tirar da mesmice esse nosso mundinho das séries.

    “Awake” deixa uma excelente impressão, tanto pro bem como para o mal. Muitos já disseram que a série não decolará pois é complexa demais. Mas outros, como eu, acham que isso será apenas mais um ingrediente para uma grande temporada.

    Espero que ela se desenvolva mais lentamente, como você disse, mas que também não deixe tudo para depois, não mostrando como as coisas acontecem.

    Fica o grande medo de, na verdade, que o protagonista seja o morto! :D

    Grande abraço!

    • Hahaha vou te dizer, eu achei q poderia ser isso mesmo, se fosse só a vida em família eu diria que é, mas baseado no conceito dele executar seu trabalho auxiliado pelas pistas liberadas em cada realidade, acho q “o protogonista estar morto” não vai ser uma possiblidade, porém, em uma série onde nada parece ser o que é, tudo é possível. Obrigado pela visita Leandro.

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