Jan 10, 2012

Escrito por em Crítica, Séries | 4 Comentários

Séries [Homeland] Panorama Geral sobre a Primeira Temporada

“A loucura é a origem das façanhas de todos os heróis” Autor desconhecido.

Pessoalmente, acredito que todos temos um pouco de loucura desenfreada dentro de si, todos temos momentos de nossas vidas que gostaríamos de apagar, principalmente as burradas que fazemos no passado, assim conhecemos a personagem meio maluca e problemática, Carrie Mathison (Claire Danes), na série “Homeland” – nova série do canal Showtime nos EUA, criada por Howard Gordon (24 Horas) e Alex Gansa (Arquivo X/24 Horas) – um drama recheado de tramas políticas, intrigas do poder, confrontos militares e terroristas.

O texto abaixo contém spoilers pesados da primeira temporada.

Carrie Mathison é uma agente da CIA (Central Intelligence Agency) do governo dos EUA, transferida para dar suporte a uma investigação sobre crimes envolvendo terroristas árabes. Durante a investigação, Carrie recebeu de uma fonte interna que um soldado americano, capturado e mantido em cativeiro, havia passada para o lado da Al-Qaeda, convertido ao islamismo, passando a seguir ordens do líder extremista Abu Nazir, para planejar e executar  atentados terroristas contra o governo norte-americano; entra em cena o argento dos Fuzileiros Navais, Nicholas Brody, capturado pelas forças de Abu Nazir oito anos atrás – da data inicial da série – mantido em cativeiro onde fora torturado, espancado e humilhado, até que um unidade tática militar executa uma ação e o liberta. Nicholas volta para os EUA com todas honrarias militares, ganha as principais manchetes, é entrevistado pelos maiores jornais e jornalistas, um verdadeiro herói, sobrevivente de guerra, voltando para casa.

Para Carrie ficou claro, desde o começo de sua investigação que Brody era o soldado convertido, e que ele estava em havidos para executar ações terroristas em solo norte-americana, a agente plantou câmeras e escutas ilegais na casa da família Brody para tentar confirmar suas suspeitas. Nesse meio tempo, Brody passou por uma fase complicada tentando se ajustar à nova, antiga, vida. Sua esposa estava em um relacionamento – meio que escondido de todos, mas que todos meio que sabiam que acontecia – com seu melhor amigo, o também militar Mike Faber, pessoalmente, achei a dinâmica dentro da casa dos Brody’s meio chata e em alguns momentos bem ridícula, no começo tudo bem, toda família está em choque com a volta o Sargento Brody, a esposa abandonada tendo um caso com o melhor amigo do marido, os filhos se sentido obrigados a aceitar a presença desse pai distante, o assédio da imprensa, tudo isso renderam boas cenas, mas depois que tudo isso se resolve, lá pelo meio da temporada, tudo vira um festival de clichês e momentos constrangedores, para forçar a imagem da “família americana perfeita”, em paralelo Brody tenta seguir com uma parte de sua vida oculta aos olhos de amigos, imprensa e parentes, entre as idas do Brody para sua garagem fazer suas orações.

A personagem interpretada magistralmente pela Claire Danes, Carrie Mathison, nunca deixou de acreditar que Brody era realmente o soldado que ela procurava, o soldado traidor, nem mesmo quando a verdade batia em sua cara, ela não desistia, sua ideia estava fixa em Brody. Durante a série várias características da personagem nos são apresentadas: ela sofre de transtorno bipolar, ou seja, síndromes psicóticas, está sempre pendurada entre a sanidade e acessos de loucura, ficando completamente transtornada e hiperativa em certos momentos, reações controladas apenas por remédios que ela precisa consumir diariamente, porém, pelo nível de acesso a informações sigilosa que ela tem e se o Departamento soubesse dessa da doença, ela seria afastada de suas funções; isso obriga Carrie a esconder esse segredinho de todos. Não sei bem o porquê, mas eu aceito bem a personagem, me simpatizei muito a ela, gosto de gente genialmente louca que faz loucuras por algum objetivo ou necessidade, pelo menos na TV. Infelizmente para a personagem, durante a séries, certas situações parecem ser loucura na sua cabeça, enquanto nós – telespectadores – pela edição da série, descobrimos que toda “trama maluca” que ela elabora está completamente certa.

Enquanto Carrie tenta provar sua teoria sobre Brody, a CIA faz de tudo para achar rastros de Abu Nazir e descobrir seus planos de ataques, por toda temporada observamos ações sendo realizadas, envolvimento de várias pessoas influentes, intrigas envolvendo grande príncipes e políticos do Oriente Médio, pessoas foram capturadas e interrogadas, a busca e rastreamento de integrantes dos filiados a Abu Nazir correu a todo vapor pela temporada; tudo cheio de ação, suspense e mistério, muito bem dosados e utilizados, o episódio começava com você acreditando que algo era de um jeito, na verdade, era totalmente diferente, que fique claro, o roteiro nunca parou de deixar claro, nas entre linhas e cenas de flashback, que o sargento Brody era mesmo o soldado convertido, eu fiquei – acho que todos ficaram – com essa sensação clara desde o primeiro episódio e nenhuma das artimanhas do roteiro para me fazer desacreditar funcionou, tanto que, posteriormente foi confirmado: O sargente Brody foi convertido islamismo e passou a seguir ordens de Abu Nazir, mas não era o único militar americano na mesma situação, seu companheiro de esquadrão, Tom Walker, que passou por tudo que o Brody passou, havia se convertido também e ambos trabalhariam em conjunto para execução de uma ação terrorista contra o alto escalão do Governo dos Estados Unidos.

Todo esse enredo do Tom Walker foi lindamente executado, o roteiro conseguiu segurar o mistério muito bem, apesar de algumas pistas bem simples soltas, eu não tinha idéia que eles (Brody e Walker) estavam trabalhando juntos, até a cena que a série nos mostra com clareza como aconteceria, até então, eu acreditava que cada um agiria de uma forma diferente, com alvos e formas de ataques diferentes, mas eu adorei como o roteiro me conduziu e me surpreendeu positivamente. Claro que não vou revelar todos os detalhes das tramas, tão bem elaboradas e que conduzem muito bem o telespectador, deixando ao final do episódio, aquela vontade de que ele não termine; a reta para o final da temporada é sensacional, eu não conseguia desgrudar da tela, a cena final é de deixar qualquer pessoa arrancando os cabelos de raiva/indignação e outros sentimentos.

A trama principal não é nenhuma novidade, várias séries e filmes já abordaram essa temática militar/terrorista por vários anos, o público norte-americano adora essas tramas, são aficionados por esse submundo militar e confidencial, porém, o ponto alto da série está em nos seus personagens, tão ricamente construídos e desenvolvidos, a Carrie dá um show como essa agente meio psicótica, porém genial, além do sargento Brody, que carrega uma “dose cavalar” de dramas incrustados em sua personalidade, após anos de tortura e de novas experiências vividas no Oriente Médio; no elenco de atores principais, tem gente de muito talento, que nem comentei no texto, como o David Harewood e o Mandy Patinkin, que fazem parte da CIA e causam confrontos interessantes entre vários núcleos da trama, fica difícil tomar algum partido ou se apegar a algum personagem, você nunca sabe quem é do “bem” e do “mau” nessa história.

Palmas um: Para a Claire Dane que faz uma agente incrível, com faro e instintos impecáveis para esse tipo de caçada e ao mesmo tempo nos apresenta essa pessoa problemática, cheia de defeitos e que beira a loucura em vários momentos, rende boas cenas, boas interpretações e aumenta consideravelmente o drama da história.

Palmas dois: Para a Showtime que investiu legal na série, elaborando sequências de ação muito bem feitas, além da ambientação militar super bem realizada.

Se você ainda não assistiu “Homeland” corre amiguinho, vá assistir, mas depois volte e deixe sua opinião aqui nos comentário, o mesmo vale para quem já assistiu a série, não esqueça de deixar seu comentário abaixo.

Homeland[bb]” já recebeu três indicações ao Globo de Ouro[bb], em categorias importantes (Melhor Série Drama, Melhor Atriz e Ator em série Drama), segundo informações da FOX Brasil[bb] a série estréia em Março no FX, legendada – todos comemorando.

Não deixem de assistir essa maravilhosa série; também não esqueçam de deixar sua opinião nos comentários abaixo.

@Zuil


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  1. Parabéns Zuil!!! Show de bola esse post…
    Agora falando de HOMELAND…só tenho uma coisa a dizer:”SENSACIONAL”

    Abraço!

  2. Bem, gostei bastante de Homeland e achei as indicações e os prêmios que el recebeu bem merecidos. Fiquei viciada pela série. Realmente vale a pena. Agora uma coisa que vc escreveu me chamou a atenção, de onde você tirou tantas conclusões (Carrie recebeu de uma fonte interna que um soldado americano, capturado e mantido em cativeiro, havia passada para o lado da Al-Qaeda, convertido ao islamismo, passando a seguir ordens do líder extremista Abu Nazir, para planejar e executar atentados terroristas contra o governo norte-americano;), o informante de Carrie só disse que um prisioneiro de guerra havia mudado de lado haha. Isso que disse é verdade, mas não dava para saber tudo, senão mataria as principais charadas logo no piloto. haha, o decorrer é que mostrou tudo.

    • @Cíntia de fato, o informante só falou que de que um soldado havia sido convertido, o resto é dedução lógica. Porque importaria para ela algum soldado que não fosse americano? como um soldado seria convertido, se não tivesse sido capturado e mantido em cativeiro? tudo são deduções logicas, e “convertido” eu fiquei com a clara impressão que não era só convertido com a religião, era completo, tanto que ela mesmo fala na cabana que a conversão era de um soldado americano virando para o lado da al-qaeda. Eu assisti a temporada completa antes de fazer a crítica, logo eu já tinha todas informações na mão, por isso o post é sobre um panorama da temporada e não dedicado à um episódio específico.
      Obrigado e volte sempre. ;D

  3. petter hiltter says:

    a séries homeland começou legal,com um enredo muito bom,mas seu idealizado, criador,se perderam no meio da série,o final da primeira tempora,foi quer foi um fracasso,faltou imaginação,pra me a série acabou.

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