Jun 28, 2010

Escrito por em Crítica, Séries | 2 Comentários

Crítica [Treme] Como a HBO deu Vida Nova a uma cidade Destruída

Uma série de TV pode ser vista de diversos prismas, analisando cada aspecto envolvendo sua produção, sua rentabilidade e sua audiência, outras séries se superam quando conseguem transcender esses indicadores e simplesmente consegue conta uma história fascinante e totalmente envolvente. Em 2010 estréio pela HBO nos EUA a série TREME e só pelo trailer promocional da série e o fato de ser criada por Eric Overmyer e David Simon (mesmos realizadores de The Wire) com produção pela HBO fez com que grande parte dos críticos a elogiassem somente pela sua premissa, então acompanhamos o piloto e a série realmente agradou, como era esperado, mas é necessário se ponderar que Treme não o tipo de série que causa furor nas pessoas, elas não ficam malucas a cada novo episódio, não foi um grande hype na internet, ela é como a história “A lebre e a tartaruga”, em Treme não é importante correr com tudo, é necessário dar cada passo certo do que está sendo feito e fazer isso magistralmente, e digo veementemente que HBO fez novamente uma obra-prima, sem se importar com a repercussão internacional o canal demonstra mais do que nunca sua independência criativa, mais que isso, mostra ser um canal com coração e boa vontade em contar histórias apaixonantes e muito emocionantes.

Não posso dizer que outros canais também já foram bem sucedidos em contar histórias desse tipo, mas em Treme podemos acompanha em 10 capítulos a montagem de uma grande e bela pintura, uma paisagem da cidade de Nova Orleans problemática, assim como qualquer outra cidade no mundo, destruída em sua grande parte por uma tragédia da natureza, suja, cheia de mortes e muitas tristezas. Permeando esses cenários vemos entidades governamentais corruptas, atos de violência polícia gratuitos contra pessoas que apenas desejam manifestar sua opinião e tudo isso, até aqui poderia se chamar de “o começo do caos”, mas agora vem o momento que entrar o coração da série, mesmo que cada acontecimento ruim faça as pessoas em Nova Orleans sofrerem, fica claro que eles não estão lá pra desistir e abandonar a cidade, grande parte dos habitantes ficaram para ajudar suas famílias e amigos na reconstrução de uma Nova-Nova Orleans, cheia de esperança, envolvimento, alegria e música.

Jazz, Blues, Soul, Funk, clássica, amadora ou profissional, não importa qual seu gênero a música significa tudo em Treme, ela está presente em cada cena, em cada ambiente, em cada história, no passado e no presente de personagem, em cada acontecimento, bom ou ruim, a música é a essência da série, assim como a música é a essência da cidade de Nova Orleans, berço de grandes artísticas das cenas de Jazz e Blues americanos, toda essa influência faz respirar na série um clima que eu nunca havia sentido em nenhuma outra, um clima que não precisa ser explicado necessariamente, você pode sentir diferentes emoções com cada personagem, sinceramente o trabalho de direção de personagens é deslumbrante, faz você se aproximar de cada pessoa de forma diferente, seja porque ele é apaixonante, problemática, engraçadinho ou por que você passou a admirá-lo, seja lá qual for o motivo, Treme consegui demonstrar que cidades podem possuir almas e temos tantas pessoas apaixonadas pelo espírito de Nova Orleans que é emocionante ver cada demonstração desse carinho e afeto por uma cidade, coisa que é tão rara atualmente, esse espírito que a série resgata me conquistou e me emocionou de diversas formas, me prendeu por todos os episódios e me deixou ansioso pela próxima temporada.

Se você procura por uma boa história e que realmente sabe valorizar cada aspecto da essência humana em situações que muitas vezes mostram uma ficção com cara de realidade tão bem feita, que chega a dar medo de saber que pessoas reais passaram por aqueles dramas em suas vidas, veja Treme.

A série chega em breve pela HBO Brasil, siga o canal no twitter @HBO_Brasil e fiquem atentos as novidades e lançamento da série no Brasil. Não perca essa emocionante obra-prima.


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  1. Jean Fernandes says:

    Eu curti seu texto sobre a série, fiquei empolgdo para acompanha-la, quando será que chega na HBO? já que não tenho acesso a banda larga, tenho que manter o velho contato com o controle remoto.

  2. Meirilane Peres says:

    Nossa Zuil, me emocionei com os comentários que você fez sobre o foco musical da série. Eu que sou cantora de Jazz em bares de campinas posso garantir que vou adoro a série.
    Valeu mesmo.

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